Pesquisa e Visibilidade
Um bem comum de dados abertos e um catálogo de financiamento
Dois mapeamentos independentes de 2025 do mesmo ecossistema divergem por um fator de dois na participação do Brasil. Construa um bem comum regional de dados abertos e um catálogo normalizado de financiamento público.
O fundamento
Não existe contagem auditável das empresas de deep tech da região, e a divergência não é marginal. O mapeamento do LADP atribui ao Brasil 1.048 empresas, 40,8% da região; o radar de 2025 da EMERGE atribui ao Brasil 952, 72,3%. Os dois também divergem na ordem de classificação, com o México em segundo lugar em um e em quarto no outro. Os totais de financiamento não se saem melhor: o financiamento de deep tech da LATAM em 2024 aparece como US$138 milhões em um rastreador e US$536 milhões em outro, citados a quinze páginas de distância no mesmo relatório e sem reconciliação. Toda cifra derivada herda a ambiguidade em seu denominador.
O que sai primeiro é uma definição e uma regra de publicação, e a base de dados decorre delas. Publique os critérios de inclusão, a taxonomia de verticais já em uso, as doze categorias do BID, e a lista de campos em nível de empresa; em seguida, permita que qualquer colaborador submeta registros contra eles e publique as alterações aceitas e as recusadas. Onde duas fontes divergem, o bem comum carrega as duas com a razão definicional, o que converte uma contradição em informação. O catálogo de financiamento é a metade mais fácil: uma extração e normalização dos dados de programas públicos em tipo de financiamento, faixa de ticket, elegibilidade, prazo e tempo de decisão, atualizada em cadência declarada.
A alegação de que isso reduz o atrito da due diligence é hipótese, não achado; ninguém mediu o atrito da due diligence na LATAM. O que é mensurável é a lacuna de reprodutibilidade, e ela é total, já que hoje nenhum terceiro consegue verificar uma única cifra de origem do LADP. Uma restrição precisa vir logo de início, e não em nota de rodapé: um registro pan-regional de PI correria sobre os trilhos do PCT, e apenas cerca de 14 dos 33 países da LATAM são Estados contratantes, com Argentina, Bolívia, Paraguai e Venezuela de fora. O registro nasce com um buraco de cobertura conhecido, em vez de oculto.
A evidência
O que destrava
Definições publicadas e um registro datado, aberto a contribuições: a divergência na contagem de empresas do Brasil vira informação, não dois números inverificáveis.
Já foi feito antes
OMPI, o Tratado de Cooperação em Matéria de Patentes
O PCT não harmonizou a legislação de patentes. Publicou um formato único de depósito e um padrão único de busca e deixou que os escritórios reconhecessem o trabalho uns dos outros. Em vigor desde 1978, hoje conta com 158 Estados contratantes, e um único pedido internacional preserva direitos em todos eles. A sequência é a lição para um bem comum regional de dados: publique primeiro o esquema e as definições, o reconhecimento vem depois. É também o limite. Cerca de 14 dos 33 países da LATAM são Estados contratantes, de modo que qualquer camada de PI construída sobre esses trilhos é parcial por construção e deve dizê-lo.
Primeiros movimentos
- 0–6 meses
Publicar a definição e o esquema
Divulgue os critérios de inclusão, o mapeamento para as doze verticais do BID e a lista de campos em nível de empresa sob licença aberta, com as contagens do LADP e da EMERGE lado a lado e a diferença definicional explicitada por escrito. Entregável: um documento de esquema versionado e uma tabela de reconciliação para a contagem de empresas do Brasil.
Secretariado da coalizão LADP com a EMERGE e grupos universitários de pesquisa - 6–18 meses
Entregar o catálogo de financiamento
Normalize todo programa público de financiamento aberto em tipo de financiamento, faixa de ticket, elegibilidade, prazo e tempo de decisão, com atualização mensal a partir das fontes das agências e um registro público de alterações. Entregável: um catálogo cobrindo ao menos cinco países, com data da última verificação em cada registro e nenhum registro mais antigo que a cadência declarada.
Agências nacionais de inovação (FINEP e BNDES no Brasil, CORFO no Chile, ANII no Uruguai) com o IDB Lab - 18–36 meses
Contribuição aberta com diffs publicados
Aceite submissões de registros de aceleradoras, agências e fundos contra o esquema, publique cada alteração aceita e recusada com sua justificativa e emita uma reconciliação trimestral contra ao menos um mapeamento independente. Entregável: quatro diffs trimestrais consecutivos e um mantenedor nomeado por país.
Secretariado da coalizão LADP com a LAVCA e as redes nacionais de aceleradoras
Como saberíamos que funcionou
- Parcela de registros com fonte e data da última verificação preenchidas, publicada no painel, acima de 90%
- Divergência residual na contagem de empresas do Brasil entre o bem comum e ao menos um mapeamento independente, reportada como número a cada trimestre e em queda
- Obsolescência mediana dos registros do catálogo de financiamento, medida em dias desde a última verificação e publicada mensalmente, abaixo de 45
- Número de colaboradores externos ao secretariado que submetem registros aceitos por trimestre, subindo acima de dez
O que pode dar errado
Um registro que ninguém atualiza
As bases abertas de ecossistema se deterioram em dois ciclos assim que acaba o aporte de lançamento, e um catálogo de financiamento desatualizado é pior do que nenhum, porque os fundadores agem sobre editais já encerrados e perdem os abertos. Contenção: uma cadência de atualização declarada com data da última verificação em cada registro, expiração automática e sinalização visível dos registros fora dessa cadência, e um mantenedor nomeado por país com mandato remunerado, em vez de manutenção voluntária.
Os dados de base não podem ser republicados
O mapeamento se apoia em um extrato proprietário da Tracxn que não pode ser redistribuído, de modo que a camada aberta corre o risco de virar agregados calculados sobre registros que ninguém pode inspecionar, o que reproduz exatamente o problema que ela existe para corrigir. Contenção: publique o esquema, as definições e o código de derivação mesmo onde os registros subjacentes permaneçam licenciados, e faça crescer, a partir das submissões de colaboradores, um conjunto de registros com licença aberta, de modo que a parcela aberta seja ela própria um número reportado.
Quem age
Apoia-se em
02 Métricas e Casos de Sucesso Um framework de KPIs para deep tech
16 Mapeamento Ampliado de Financiadores Um registro versionado que a comunidade pode auditar
Os dados que a sustentam
O Brasil abriga 41% dos empreendimentos da região, mais do que os próximos quatro países somados. Os “Big 5” respondem por 83% de tudo o que foi mapeado.
Conforme publicado no relatório, setembro de 2025.
FontesLatin American Dynamism Project (LADP), Accelerating Deep Tech in Latin America; Tracxn Technologies, Tracxn, LATAM deep tech company database (LADP extract); EMERGE (Emerge Brasil) & Cubo Itaú, Radar Deep Tech LATAM 2025
| Categoria | Atual |
|---|---|
| Brasil | 1.048 |
| México | 358 |
| Argentina | 256 |
| Chile | 251 |
| Colômbia | 219 |
| Resto da LATAM | 434 |