Do Desconto LATAM ao Valor Justo
Mostrando os números como o relatório os publicou, setembro de 2025.
O "Desconto LATAM" refere-se ao fenômeno pelo qual as startups e empresas da América Latina costumam ser avaliadas abaixo de suas contrapartes nos Estados Unidos, na Europa ou em outros mercados emergentes, apesar de terem métricas semelhantes ou até superiores. O desconto é atribuído a riscos percebidos, instabilidade política, volatilidade econômica e desafios regulatórios, que afastam os investidores internacionais.
Mesmo nos mercados de renda variável tradicionais, as ações latino-americanas negociaram nos últimos anos com um desconto significativo frente às médias globais e aos Mercados Emergentes. O Índice MSCI LATAM, que captura a representação de grande e média capitalização no Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru, sugere que a LATAM negocia com um desconto de –51% frente ao mundo, acima da média histórica de –13,9%. Segundo o Itaú BBA, "isso pode ser parcialmente explicado pela crescente relevância das empresas de tecnologia nos índices globais, em ritmo maior do que os MEs, enquanto a LATAM tem praticamente pouca exposição a esse setor". Frente a outros Mercados Emergentes, a LATAM negocia com um desconto de –27,7% em 2024.
Os ativos latino-americanos são negociados muito abaixo dos pares globais e de mercados emergentes, e bem além da média histórica. A tese central do relatório: trata-se de uma precificação incorreta solucionável.
O número como o relatório o publicou, setembro de 2025. Desde então foi reverificado e mudou; troque para Atuais para vê-lo.
FonteItaú BBA Equity Strategy Team, Latam & Brazil Equity Strategy: Thematic Book
| Categoria | Valor |
|---|---|
| média histórica | −13,9% |
| vs. mercados emergentes | −27,7% |
| vs. o mundo | −51,0% |
# Exposições-chave que impulsionam risco e retorno
O Índice MSCI de 2025 compara as exposições de fatores da LATAM e de outros MEs como China ou Índia frente a um benchmark global (MSCI ACWI IMI). Dos seis fatores principais, Valor, Tamanho Baixo, Momentum, Qualidade, Rendimento e Baixa Volatilidade, a LATAM está especialmente sobre-exposta à Volatilidade, representada pela exposição a commodities, pelas oscilações macroeconômicas e pelos riscos políticos. Isso costuma ser negativo e pode afastar os investidores de renda variável global. Em paralelo, a LATAM fica atrás de outros mercados emergentes e do benchmark global em Qualidade e Momentum, o que indica menos balanços de alta qualidade ou menos ações com forte momentum de preços. Um viés negativo de Tamanho Baixo sugere que o índice está mais concentrado em ações de grande capitalização.
Esse fenômeno nos leva à pergunta central: por que se dar ao trabalho de investir em mercados emergentes? Afinal, os investidores poderiam permanecer nos EUA, onde os retornos são estáveis e as taxas de renda fixa superam 5%. Como disse um observador, "a grande questão parece ser se os retornos emergentes são suficientes para arrastar os fundos americanos e ocidentais para fora de um viés doméstico cada vez mais confortável". Ainda assim, este relatório e dados mais amplos apontam razões convincentes para investir precisamente nesta conjuntura.
O Desconto LATAM representa um erro temporário de precificação impulsionado por fatores estruturais solucionáveis, incerteza regulatória, liquidez de mercado limitada e assimetrias de informação, e não por fundamentos permanentemente inferiores.
À medida que esses fatores melhorarem por meio do desenvolvimento institucional, de maior transparência e de mercados de capitais mais profundos, os valuations da região deveriam convergir para seu valor intrínseco, criando retornos atraentes ajustados ao risco sem exigir prêmios especulativos.
A pergunta está mudando de "Por que a América Latina?" para "Por que não investimos mais?".
Cristián Hernández Gerente, Zentynel