Venture Building: o pipeline da ciência à startup
Recomendação 01 · Prontidão de Mercado
Um dos desafios mais críticos para as startups de Deep Tech está em fechar a lacuna entre a inovação científica e a execução do negócio. Muitos empreendimentos são fundados por cientistas brilhantes que enfrentam uma curva de aprendizado íngreme ao migrar para papéis de liderança empreendedora.
Na América Latina, é comum que os fundadores científicos fiquem fazendo malabarismo com múltiplos papéis de alto risco ao mesmo tempo: captar capital, levar seus produtos a mercados internacionais e continuar empurrando as fronteiras tecnológicas. Isso está enraizado também na cultura acadêmica de muitas universidades da região, onde o empreendedorismo ainda é visto como um caminho de nicho, e não como uma opção de carreira viável ou incentivada para o talento científico. Como resultado, o potencial empreendedor de cientistas altamente qualificados permanece amplamente inexplorado.
O Venture Building, também chamado de venture studio, é um modelo feito sob medida para essa lacuna. É um modelo de cofundador institucional que origina startups do zero, não apenas acelera as existentes. Um venture builder prospecta ciência/PI de fronteira, forma equipes fundadoras unindo cientistas a operadores experientes, estrutura a empresa (PI, governança, regulação), fornece recursos compartilhados de produto/BD e coinveste para alcançar os primeiros marcos técnicos e comerciais significativos. Ao contrário das incubadoras/aceleradoras, os venture builders são criadores de empresas hands-on, com maior engajamento, propriedade mais profunda e responsabilidade operacional.
Um venture builder prospecta ciência/PI de fronteira, forma equipes fundadoras unindo cientistas a operadores experientes, fornece recursos compartilhados de produto/BD e coinveste para alcançar os primeiros marcos significativos.
# Exemplos regionais
GRIDX, o modelo de matchmaking
A GRIDX é uma firma pioneira de capital de risco e construtora de empresas que está remodelando o panorama de Deep Tech e biotech. Com uma tese centrada na ciência, a GRIDX captou US$41,5 milhões em dois fundos e construiu um portfólio de 81 empresas, 75% cofundadas por mulheres. Esses empreendimentos abrangem Argentina, Uruguai, México, Colômbia, Brasil e Chile, e coletivamente empregam 1.000 pessoas, incluindo 700 cientistas.
No coração do modelo está seu processo de matchmaking: a GRIDX identifica cientistas com a vontade de se tornar empreendedores, recruta profissionais de negócios capazes de executar em indústrias desconhecidas e coloca cada dupla em uma fase de teste de três meses. Após mapear centenas de projetos e cofundar seis empreendimentos iniciais, a GRIDX captou um fundo protótipo de US$1 milhão em 2016, um Fundo I de US$10 milhões e, com o IDB Lab como sócio limitado em 2022, um Fundo II adicional de US$30 milhões. Suas empresas captaram mais de US$100 milhões de investidores internacionais e alcançaram uma primeira saída.
Vesper, cofundar com cientistas
A Vesper Ventures é um venture builder brasileiro focado em transformar pesquisa científica de alto impacto em startups escaláveis globalmente. Ao contrário dos VCs tradicionais, a Vesper faz parceria com cientistas nos estágios mais iniciais, muitas vezes antes de existir uma empresa, engajando-se diretamente com universidades para identificar talento promissor e ideias disruptivas.
Os números são eloquentes: após avaliar aproximadamente 4.500 projetos científicos, a Vesper escolheu cofundar 8 empresas. Esses empreendimentos detêm coletivamente 16 patentes, captaram mais de US$30 milhões e reúnem uma equipe de mais de 50 PhDs.
Odisea, da educação ao investimento
A Odisea Labs é um laboratório de inovação com base na LATAM focado em avançar a IA e a Criptografia, que integra educação, construção de empresas e alocação de capital sob o mesmo teto. Fundada em 2021, a tese da Odisea começa um passo antes dos venture builders típicos: por meio do NÚCLEO, sua academia técnica carro-chefe, a Odisea forma talento em IA aplicada e criptografia, incluindo não especialistas e candidatos de trajetórias acadêmicas não tradicionais.
A Odisea Labs conduz programas de incubação e aceleração que dão aos formados do NÚCLEO uma via rápida ao empreendedorismo. Até hoje, a Odisea trabalhou com 100 equipes na interseção de IA e criptografia; coletivamente, elas captaram mais de USD 100 milhões de investidores líderes de criptografia e IA. A Odisea está finalizando seu primeiro fundo de risco, criando um volante contínuo de "aprender–construir–investir" desenhado para reter talento e comprimir o tempo da pesquisa de fronteira ao mercado.
Um elemento-chave que falta é um histórico concreto que mostre que as empresas latino-americanas têm alcance e impacto global. Os históricos são superimportantes para os investidores. Embora haja exemplos isolados, a imagem geral e a história de saídas bem-sucedidas na região continuam limitadas.
Participante da mesa-redonda
# Recomendações: Formar, Financiar, Validar
Os atores recomendam começar pelo básico: normalizar o empreendedorismo dentro das universidades e dos melhores laboratórios. Torne-o rotineiro: promova bootcamps de fundadores curtos e práticos e acrescente módulos recorrentes de empreendedorismo aos programas de pós-graduação, com mentores capazes de unir cientistas a operadores. Forneça às universidades os incentivos certos para se engajarem na construção de empresas, fazendo circular valor econômico de volta às instituições.
Surgiu uma demanda paralela por mais capital não dilutivo nos estágios iniciais. Os atores pediram de forma consistente pequenos aportes e financiamento-ponte rápido para apoiar provas de conceito antes da Série A: sem esse financiamento inicial, não haverá projetos críveis para o financiamento posterior. Por fim, conecte os venture builders a VCs e corporações para garantir financiamento para ensaios clínicos, pilotos e entrada inicial no mercado. Estabelecer trilhas de pilotos corporativos dedicadas (ao menos uma por hub) permitiria a validação de produtos em ambientes reais, e os modelos compartilhados de diligência e data room acelerariam os projetos mais promissores.