Ceticismo quanto à P&D: Conselhos Consultivos Científicos Internacionais Regionais
Recomendação 06 · Prontidão do Investidor
Entre os principais pontos de dor identificados estavam o ceticismo quanto às capacidades de P&D da LATAM e um panorama regulatório fragmentado. As empresas de Deep Tech dependem extensamente da P&D em instituições acadêmicas de primeira linha; sua característica definidora é que emergem após anos de pesquisa rigorosa por cientistas individuais ou equipes de PhDs.
Esse processo envolve desenvolver uma robusta propriedade intelectual e uma transferência de tecnologia longa e estratégica da academia ao setor comercial. A jornada completa, da pesquisa e prototipagem, passando pelo desenvolvimento e validação, até a comercialização, leva de 25% a 40% mais tempo para se traduzir em retornos do que uma empresa de software convencional, segundo estimativas do Boston Consulting Group. Mas antes da comercialização, o risco primário nos estágios iniciais é a robustez da ciência subjacente.
Os empreendimentos latino-americanos frequentemente enfrentam ceticismo dos investidores internacionais quanto à robustez e à credibilidade de sua pesquisa científica de estágio inicial.
Os investidores americanos, acostumados a avaliar fundadores e tecnologias que emergem de instituições prestigiosas como Stanford, MIT e Harvard, podem duvidar da credibilidade das inovações apresentadas por fundadores de universidades menos conhecidas da LATAM. Esse ceticismo obriga os fundadores a assumir o desafio adicional de provar a confiabilidade de sua tecnologia e de seus dados.
Garret Dempsey Investidor global, 2024
Em consequência, esse ceticismo frequentemente resulta em um processo de deliberação prolongado para os investidores internacionais, às vezes até percebido como enviesado, em um estágio crucial do desenvolvimento da empresa.
# Recomendação: Conselhos Consultivos Científicos Internacionais Regionais
Para elevar a credibilidade e acelerar as decisões de investimento, recomendamos estabelecer Conselhos Consultivos Científicos Internacionais Regionais dentro de cada vertical principal. Esses painéis de validação imparciais e de alto calibre combinariam experiência global, cientistas seniores e responsáveis por transferência de tecnologia em instituições como MIT, Stanford, ETH Zurique e Cambridge, com o olhar local de renomados pesquisadores da LATAM com históricos comprovados de comercialização.
Para ancorar os conselhos na excelência, eles deveriam incluir líderes das instituições acadêmicas da LATAM que mais produzem patentes: a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) no Brasil; a Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM) e o Instituto Politécnico Nacional (IPN) no México; a Pontificia Universidad Católica de Chile e a Universidad de Concepción no Chile; a Universidad de los Andes na Colômbia; e o CONICET na Argentina, entre os 20 maiores depositantes de patentes da LATAM nas últimas duas décadas.
Esses conselhos poderiam realizar revisões por pares rigorosas de empreendimentos de estágio inicial em Níveis de Maturidade Tecnológica (TRL) 3–5, avaliando o design experimental, a reprodutibilidade e a robustez da PI. Os empreendimentos que atenderem a esses benchmarks poderiam receber um selo formal de endosso para seus materiais de investimento, junto com apoio especializado e de política sob medida. Por fim, os conselhos poderiam publicar um informe anual "Estado da Ciência de Deep Tech" que destaque as descobertas validadas e as tecnologias com risco mitigado.
Conforme as necessidades, os conselhos poderiam ser sediados (1) dentro de uma instituição multilateral como o BID; (2) em um órgão acadêmico intergovernamental como o Instituto Interamericano para a Pesquisa da Mudança Global; (3) sob um consórcio de instituições acadêmicas líderes da LATAM; ou (4) dentro de um comitê neutro recém-estabelecido gerido por um facilitador de ecossistema como o LADP ou a proposta Coalizão Regional de Deep Tech. A arquitetura de financiamento poderia combinar parcerias público-privadas, aportes multilaterais e filantrópicos, e patrocínios corporativos atrelados a programas, com um pacote que equilibre honorários financeiros e incentivos não financeiros para preservar a independência.